Somos uma colcha de retalhos humanos

Somos colecionadores de cicatrizes. E cada cicatriz, tem uma história.

Somos vítimas de constantes situações em que saímos machucados. Anos vão passando e os machucados antigos se cicatrizam e novos são abertos. As vezes, a mesma ferida é aberta diversas vezes. E ela vai ficando cada vez mais feia. E mais funda. E mais difícil de curar.

Estou eu falando em feridas e machucados e esquecendo que por vezes, somos atingidos por bombas atômicas. E pedaços de nós mesmos saem voando para todos os lados.

É fato: estamos predestinados a ter pessoas que nos machuquem. Que nos quebrem de dentro pra fora. Que nos façam sentir que somos incapazes. Que somos fracos.

Mas não são só pessoas. São situações também. Porque as vezes a vida te prega cada peça ordinária que te quebra e te machuca do mesmo jeito.

Quantas vezes você já não chorou por causa de algo ou alguém? Quantas vezes você não sentiu vontade de jogar tudo pro alto e fugir para o outro extremo do universo? Quantas vezes você não disse “eu não aguento mais”?

Não importa se você é jovem ou velho. Ninguém deveria subestimar a dor que as suas cicatrizes lhe causaram. Ninguém deveria julgar o quanto você lutou para curar as suas feridas. Ou de como as curou.

Foram inúmeras as vezes em que eu me tranquei no banheiro e fiquei sentada no chão. Chorando com um rolo de papel higiênico nas mãos. Sim, no banheiro. Afinal, ninguém precisa assistir a minha desgraça. E se alguém bater na porta, posso usar a desculpa de “estou com dor de barriga!”. Espantando qualquer pessoa das proximidades do meu banheiro.

Perdi a conta de quantas vezes eu me senti um lixo. De quantas vezes eu fiquei sozinha, juntando os cacos da pessoa que eu era. De quantas vezes eu precisei pegar uma agulha e uma linha imaginária e remendar os destroços da bomba atômica que me destroçou.

Eu não falo das minhas cicatrizes. Porque falar em alguma delas ainda dói. Mas eu não sinto vergonha delas. Eu me sinto orgulhosa. Orgulhosa porque elas me lembram da força que eu tive que extrair para seguir em frente. E me lembram que eu continuo viva. E que eu estou mais forte. E mais determinada.

Não sou tão forte quanto gostaria. Mas aprendi a ser mais forte do que eu era. E isso já é uma grande coisa.

As pessoas esquecem do que são capazes. As pessoas esquecem de confiar mais em si. De que dentro delas, há uma força tão grande e tão poderosa, que se elas se dessem uma oportunidade, poderiam se surpreender.

Já diz o ditado “life’s a bitch” (a vida é uma cadela). Não vai ser só hoje nem só amanhã que o mundo vai conspirar contra você. As pessoas vão te apunhar. A vida vai dar na sua cara com luva de pelica e você pode sim, se permitir chorar (no banheiro, se quiser). Chore e lave a sua alma, porque afinal… somos humanos. Sentimos dor. Então, você pode se permitir chorar.

Quando você terminar com o seu estoque de lágrimas, durma, bote um saco de gelo no seu olho — para que o universo não seja obrigado a ver os seus olhos esbugalhados de tanto que você chorou — e respire. Respire bem fundo e diga a você mesmo que hoje é um novo dia. E que hoje, você está melhor.

As coisas não são fáceis para todos. Mas, não devemos nos entregar ao desespero momentâneo e achar que tudo está acabado. Não. O mundo não acabou e nem o tempo vai parar para que você cole os cacos do que sobrou de você. Então, apenas pense que este é um novo dia. E o viva.

Viver um dia de cada vez. Esse é o seu novo mantra. Se quiser — e ajudar — cole na sua parede o velho “Keep calm and VIVA UM DIA DE CADA VEZ”.

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2 comentários sobre “Somos uma colcha de retalhos humanos

  1. acabei de escrever a uma amiga dizendo “somos uma manta de retalhos muito complexa, que de dia podemos ser uma coisa e de noite outra, para além disso temos a facilidade de criar os nossos proprios gemeos, em que para uns somos uma coisa e para outros somos outra. a somar a isto tudo e como diz até conseguimos ser metade uma coisa e outra metade outra coisa, bastando para isso que algo aconteça, apareça, etc, etc ….. estas são algumas das razões porque digo que “somos uma manta de retalhos”, conseguimos retalhar a nossa alma, basta querer …….” Por isso e lendo seu texto, imagino também somos uma manta de retalhos, porque os outros nos fazem ser …. gostei de ler seu blog, bjo. manuel

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