A máscara que cobre o seu rosto

Tira, a máscara que cobre o seu rosto
Se mostre e eu descubro se eu gosto — Pitty

A vida é um grande circo dos horrores, se formos analisar friamente. Naturalmente, a perfeição não existe. Somos feitos de pele, ossos, órgãos e emoções. Os anos cuidam para que fiquemos deformados com os inúmeros tombos e quedas que levamos. Cicatrizes e marcas das batalhas nos transformam em um saco de retalhos e sentimentos dão origem aos demônios de quem fugimos.

Diversas vezes precisamos usar uma máscara para encobrir nossas emoções. Colocando aquele sorriso no rosto mesmo quando as lágrimas ardem nos olhos. Demonstrando uma calma enquanto gritamos por dentro. E afirmando que não nos importamos quando no fundo, importa.

Fazemos esse esforço como uma forma de proteção. Criando uma barreira invisível para que nossas fraquezas não fiquem expostas aos constantes julgamentos alheios. Em que você é definido como: dramático demais, depressivo demais, ridículo demais, imaturo demais… A lista de adjetivos não tem fim. Sob o olhar dos outros, acabamos sendo várias coisas.

Resumidamente, o ser humano é um verdadeiro artista. Encobre os deformidades, maquia os machucados e mascara as emoções. Onde está o nosso Oscar?

Nada é tão ruim que não possa piorar. Essa é uma das verdades mais ridículas que existe. Ridícula porque não transmite qualquer positividade, apenas afirma que o seu problema poderia ser pior. Então, tipo: fique feliz por não ser pior. Excelente consolo, obrigada por desmerecer o meu problema.

Também temos o odioso: “Tudo passa”. Todo o universo sabe disso. Que tudo passa. Acho que esse é o tipo de frase que se usa quando não se tem o que dizer.

O momento é esse. Neste exato momento você está sofrendo. A sua dor dói somente em você e em mais ninguém. E a grande merda é essa. Que agora dói. Mas talvez amanhã não doa mais. Mas enquanto dói, é ruim.

Usamos todo o nosso poder de atuação para convencer os outros que tudo está ótimo. Mas quando chegamos em casa, nos livramos de todo o incrível disfarce e somos apenas nós mesmos. — Com a nossa mágoa. Com a nossa dor. Com a nossa raiva.

Por vezes nos tornamos infelizes remoendo os problemas e intensificando o seu poder de influência em nossas vidas. A máscara que usamos não é algo que deva ser encarado de forma negativa. É apenas o meio que encontramos de levantar da cama com um pouco mais de dignidade sem que o universo saiba do quanto estamos mal naquele momento.

E isso não é anormal. Temos dias ruins. Temos momentos péssimos. Temos fases em que o mundo está preto. Mas faz parte de todo o “espetáculo”. Há vários dias bons para incontáveis dias ruins. Mas há quem diga quê: só passamos por coisas que temos capacidade de aguentar. Não sei se é mais um consolo torto, mas… Acho que devemos acreditar que ao invés de piorar, melhora. Porque não teria sentido se tudo fosse somente piorando. Certo?

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