Curando um coração partido

Há 4 anos atrás eu sofri uma grande desilusão amorosa. Estava com um cara há quase dois meses e apesar de vivermos uma vida de casal, a coisa não passou de um rolo. Devido uma situação embaraçosa eu decidi “terminar” o tínhamos, pois não estávamos com os mesmos ideais. Dessa forma, não havia sentido em continuarmos juntos.

Chorei três dias seguidos. Escutei todas as músicas de fossa desse mundo e fiquei naquele estado letárgico, largada em cima da cama repassando todos os momentos que tivemos juntos. Meu coração estava apertado e eu sentia um vazio tão intenso dentro do peito que me doía. Eu era a pessoa mais infeliz do planeta naquele momento e parecia que aquilo não ia passar nunca.

Surgiu a oportunidade de fazer um curso de fotografia e eu a agarrei. Meio me arrastando — e com a cara toda inchada de tanto chorar — fui fazer minha inscrição. Seria bom fazer algo para me manter ocupada e eu amo/amava fotografia.

Alguns dias após o — infernal — dia dos namorados, eu estava passeando numa livraria e vi uma capa que me chamou a atenção, li a sinopse:

“De três coisas eu estava convicta. Primeira,Edward era um vampiro.
Segunda, havia uma parte dele — e eu não sabia que poder essa parte teria —
que tinha sede do meu sangue. E terceira, eu estava incondicional e irrevogavelmente
apaixonada por ele.”

No outro dia voltei com o dinheiro pra comprá-lo. Sim, eu comprei Crepúsculo. Mas antes de me julgar achando que eu sou alguma frenética sem cérebro que só lê isso e fica suspirando pelo vampiro que brilha, fique sabendo que eu tenho cérebro e eu leio outras coisas. (E sim, eu suspiro pelo vampiro que brilha, me condene.)

Eu nunca fui uma pessoa de ler muito. Os unicos livros que eu tinha conseguido devorar haviam sido os do Harry Potter, fora eles, nada me chamou muito a atenção. Mas isso mudou.

Acreditem se quiser, mas o romance meloso da Stephenie Meyer foi o que me tirou do chororo que eu estava por causa do garoto de ideais diferentes. O meu vazio havia ficado menor e eu preenchi meu tempo livre lendo e fazendo fotos. Terminei o livro em dois dias e fui atrás dos ebooks. Após isso, eu nunca mais parei de ler.

Conheci diversas pessoas que gostam de ler — por meio de comunidades na internet — e fiz amizades assim. Várias indicações de títulos me foram dadas e eu não conseguia parar de ler. Meu tempo era dedicado a leitura e com isso, acabei virando uma pessoa louca por livros.

A leitura preenche os meus vazios. É um momento em que eu esqueço da minha vida, dos meus problemas e me transporto para o cenário daquele monte de papel nas minhas mãos. Eu vivo através deles, sofro, aprendo, dou risada e me apego aos personagens. As vezes me acho meio boba por ter um carinho tão grande por pessoas que nem existem… Mas eu tenho. E muito.

Por vezes gastei meus salários comprando livros. Eu andava com trapos, mas sempre estava com livros novos. Meu pai achava um absurdo gastar tanto com montes de papel. Mas pra mim, eles valiam cada centavo. Uma roupa, um sapato ou qualquer outra coisa não me davam o mesmo prazer que um livro me dá.

Quando estou deprimida sinto o impulso de comprar um livro. Mesmo se eu não tiver condições, eu vou a livraria passear por entre os títulos, procurando volumes só pelo prazer de olhar várias prateleiras até achar o que eu quero, mesmo que eu não o compre. É algo tão besta a se fazer, mas me trás uma paz de espírito tão grande.

Os livros abriram muitas portas na minha vida. Eu consegui coisas que nem imaginava conseguir, conheci muitas pessoas — muitas mesmo! — e me tornei uma pessoa que saber aproveitar o tempo na companhia de um bom livro.

Eu curei a minha dor do coração partido com um livro meloso, que falava de um vampiro altruísta apaixonado por uma garota humana lerda. Eu curei várias feridas com livros, na verdade.

Eu sei que dói superar alguém por quem você estava apaixonada. Mas existe uma cura. A minha cura foi essa. Acho que você pode se permitir chorar, porque chorar as vezes é realmente necessário para lavar a alma. Mas não podemos ficar nisso, é preciso buscar uma alternativa. E sempre há alguma.

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