Os espaços vazios

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Decididamente, fiquei cansada de tanta bagunça.

Arrumei algumas caixas e sai me livrando de tudo. Tudo aquilo que um dia significou, mas não me serve mais. Esse apego nos deixa escravos de uma constante falta de espaço. E esse mesmo apego, deixa tudo estragado com o passar do tempo. Resolvi jogar fora. Me livrar. Abrir novos espaços.

Cato tudo que já não quero, e me livro. Jogo no lixo.

Mas e quando você é a bagunça? E quando há muitos espaços vazios e nada para preencher?

Uma sensação de sufocamento me atingi as vezes. Algo me rouba o ar, me deixa atordoada, tira a minha paz. Como lidar com isso? Como fazer tudo ir embora?

Não importa quantas caixas eu retire da minha vida, quantas coisas eu organize. Algo sempre continua bagunçado.

O tempo está sempre curto. O tempo inteiro é uma correria e as vezes eu me sinto tão cansada… Tão exausta de correr o tempo todo, todos os dias…

Exaurida, utilizo o pouco tempo útil para inutilidades. As vezes, eu mesma já nem sei o que fazer com o tempo que resta. As vezes, me perco inteiramente na minha bagunça particular e me sufoco.

Me sufoco na minha incapacidade de expressar o tamanho do meu atordoamento.

Me sufoco na minha solidão desagradável.

Me sufoco com os espaços vazios.

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